domingo, 7 de agosto de 2011

Direto da Ásia 7/8/2011



O encontro Hamás-Fatah hoje no Cairo

  • Foi produtiva, dentro do possível, a reunião entre os representantes dos dois principais partidos da Palestina, realizada hoje no Cairo. Azzam Al-Ahmad, pelo Fatah, e Mousa Abu Marzouk, pelo Hamás, concordaram em quatro pontos importantes:
         a) libertar os prisioneiros políticos uma da outra (eles estão nas celas de Gaza e da Cisjordânia);
         b) formar um comitê conjunto para supervisionar o restabelecimento das instituições fechadas quando o    Hamás assumiu o poder em Gaza;
         c) emitir passaportes palestinos;
        d) realizar nova reunião no começo de setembro, para discutir o futuro governo da unidade e temas relativos à segurança.
  • Sami Abu Zahrim porta-vos do Hamás, considerou o encontro importante por manter a confiança do povo palestino e refletir "a seriedade de ambas as partes para implementar a unidade".
  • Quanto a Gilad Shalit, prisioneiro israelense em poder do Hamás, terá de esperar nova oportunidade. Também a esperarão os milhares de presos políticos palestinos que Israel mantém em suas celas.



Terremoto no Mediterrâneo

  • Ou o pessoal da Geological Survey dos EUA (http://www.usgs.gov/) não sabe onde fica o Mar Morto ou não sabe ler mapas. Eles anunciaram um terremoto hoje, no Mediterrâneo, perto da costa de Israel, como sendo na "região do Mar Morto". Veja, no mapa que eles mesmos publicaram, a localização do epicentro.

Para os acadêmicos da USGS, o Mar Morto fica no Mediterrâneo...
  • O tremor foi fraco -- 4.1 na Escala Richter --, mas o mais forte, em 20 anos, nesta região. Ocorreu a 10 km de profundidade e não provocou danos nem mesmo no litoral. Em Jerusalém, a cidade mais próxima de onde estou, a 125 km do epicentro, poucas pessoas sentiram-no, e muito de leve. Eram 11h52 aqui (5h52 Me SP e RJ).
  • Já a agência de notícias Ynet afirma que o epicentro está localizado a 60 km de profundidade e a 800 km da costa. Afirma também que tremores foram sentidos em toda a região costeira e em Haifa. Os dados são do Instituto Geofísico de Israel.
  • Rami Hofstetter, diretor da divisão sismológica do Instituto, disse que o terremoto foi uma "ocorrência rara" tanto em potência como em localização. "A área em que ele aconteceu é pouco ativa", declarou ele, e alertou: "Mas pode ser um sinal, um aviso, de um início de movimentação nas placas tectônicas".
  • Já estamos de sobreaviso. Em Bil'in o risco é mínimo, pois as casas têm no máximo três andares. Além disso, é fácil sair para a rua e alcançar terrenos baldios, ou o campo. 
  • Em Jerusalém, grandes avenidas, parques e praças também ajudam a população. Portanto, todos muito tranquilos.


"Nunca antes neste país...

  • ... tanta gente se uniu para mudar o futuro". Lula? Não. Itzik Shmuli, líder da União Nacional dos Estudantes, de Israel..
  • "Temos poder para mudar, para exigir um futuro melhor", afirmou Shmuli. "Os políticos estão em pânico. Sr. Primeio Ministro [Netanyhau], não temos mais vergonha de lhe dizer abertamente: o que o senhor viu hoje não foi o bastante". Tradução: vem mais mobilização de massa por aí.
  • Mãe de cinco crianças, Mali foi taxativa: "As pessoas sabem que o governo falhou em mostrar interesse por você, por mim. Em vez disso, ele só cuida daqueles que são muito ricos. Isso está errado e precisa mudar."
  • Um dos cartazes traria Netanyhau montado num porco, com os dizeres: "Bibi, seu porco, devolva-nos o país!" 
  • Gil Sasson, um dos organizadores da mobilização popular: "Vemos um despertar coletivo sem precedentes; somos testemunhas da desilusão de um povo. O que começou como uma batalha por moradia transformou-se num movimento de protesto que cresce como bola de neve e que agora tem como objetivo uma ampla mudança no sistema [político, econômico e administrativo].

"Também quero!"
  • A extrema direita conseguiu reunir o número recorde de 100 pessoas numa passeata em Tel Aviv para protestar contra as passeatas e a mobilização das centenas de milhares de pessoas que vão à ruas diariamente pedir justiça social.
  • Os direitistas realizaram a marcha no terreno do inimigo, o bulevar Rotschild, gritando palavras de ordem racistas como "Tel Aviv para os judeus; sudaneses, voltem ao Sudão" (referência às classes populares envolvidas na luta, também composta por uma minoria de negros e mestiços).
  • Demonstrando total desconhecimento de história, teoria política, filosofia -- os conceitos mais simples, coisa de ginásio --, os extremistas acusavam a mobilização popular de "esquerdista" e "anarquista". Não a anarquia verdadeira, é claro, mas no sentido de confusão, bagunça. Para eles, a esquerda é isso.
  • É duro debater ideias com adversários que não as têm. A ignorância é inimiga do diálogo porque não tem argumentos para mantê-lo. Os ignorantes repetem refrões, lugares-comuns, slogans, frases feitas que os sionistas colocam à disposição deles em manuais e websites. 

As intrigas de Lieberman, o visionário
  • Hoje o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor, Lieberman, superou-se. Contradizendo informes dos serviços de segurança de Israel, ele afirmou que setembro será um mês "violento" e sangrento", "numa escala nunca vista aqui".
  • De onde ele tirou isso? Da própria imaginação. A resistência popular palestina é pacífica, a Coordenadoria dos Comitês de Luta Popular e a Autoridade Nacional Palestina já estabeleceram que as manifestações de setembro serão realizadas de modo pacífico, o serviço de inteligência de Israel já apurou que não haverá violência no mês em que a AG da ONU votará o reconhecimento do Estado palestino.
  • Apesar de tudo isso, o ministro Lieberman vai à mídia anunciar violência, procurando demonizar os palestinos. "Quanto mais a ANP fala que só vai operar no campo democrático, mais eu vejo preparações para violência e derramamento de sangue", ele afirmou a repórteres, no Knesset.
  • A bola de cristal do ministro deve estar falhando. Eu, que vivo na Palestina, não vejo nenhum preparativo violento. Ao contrário, a ordem aqui é evitar confrontos a todo custo.
  • A estratégia de Lieberman é bem conhecida daqueles que estudam o sionismo: colocar na outra parte a culpa que você tem; acusar a outra parte daquilo que você faz. A violência, o sangue e o terrorismo, aqui, têm uma só fonte: o exército sionista, sob as ordens do governo de que o sr. Lieberman é expoente. Acusando os palestinos daquilo que eles, sionistas, fazem, Lieberman e companhia reprimem com violência para depois ir à mídia dizer que agiram assim por "razões de segurança" -- justificativa vazia de sentido --, uma vez que "os árabes, como todos sabem, são violentos".
  • Como os sionistas afirmam isso o tempo todo, as pessoas acabam acreditando. E acreditam também nas teses das "razões de segurança", "legítima defesa" etc.
  • É a hiperrealidade em pleno funcionamento. Em ato. Desconstruamos os argumentos sionistas. Essa é uma tarefa simples: basta falar a verdade. 


sábado, 6 de agosto de 2011

Direto da Ásia

  • Mais de 300 mil pessoas -- o dobro da semana passada -- saem às ruas em Tel Aviv para protestar contra as políticas econômica e social do Governo. "O povo exige justiça social" era o slogan mais ouvido.
Multidão em Tel Aviv caminha do bulevar Rotschild até a Kaplan St., exigindo  a renúncia de Netanyhau.

  • Além de Tel Aviv, outras cidades israelenses foram palco de marchas: Jerusalém (20 mil pessoas), Kiryat Shmona (3 mil), Modi'in (5 mil), Hod Hasharon (1 mil) e Eilat (1 mil), Ashkelon (mais de 500 manifestantes), Dimona (cerca de 200), Vale de Jezreel (1 mil). As estimativas são da polícia.
  • Mas os assessores de Netanyhau disseram a ele que a "mídia" aumentou o número de participantes. O pior cego...
  • Para mostrar que a mobilização não está para brincadeiras, várias faixas exibiam os dizeres: "Renuncie, o Egito é aqui". O recado foi claro e direto, mas Netanyhau vai fingir que não ouviu. Até não lhe restar alternativa senão cair fora.
  • Na mídia israelense, os liberais saúdam o movimento. Parece que ninguém esperava que os israelenses fossem capazes de uma mobilização assim. Ao que tudo indica, nem a hásbara (a propaganda sionista) consegue mais encobrir os erros de um governo desgovernado.
  • Sabor de veneno: Netanyhau não vai dormir esta noite. Não por causa dos protestos, nem da exigência da renúncia, mas por causa de "o Egito é aqui" dos cartazes e faixas. Ele suporta tudo, MENOS ver os árabes influenciando o que quer que seja no que considera seu feudo.
  • Pior pra ele: os israelenses não escondem que se inspiraram na Primavera Árabe e nas manifestações pacíficas da Cisjordânia. Quem diria, hein?

  • Quase 200 crianças feridas e nove delas mortas. É esse o balanço da violência contra menores no primeiro semestre de 2011, segundo a ANP.
  • São números assustadores, que mostram a escalada do tratamento violento dispensado às crianças palestinas por israelenses.
  • Centenas delas são detidas todo mês e sofrem abusos, inclusive sexuais.
  • A ANP pediu que ONU e ONGs tomem medidas legais para pôr fim à impunidade de Israel em relação às violações da lei e aos abusos cometidos contra crianças palestinas, situação que já dura décadas.
  • Outra solicitação da ANP à ONU foi a implementação da resolução 1998, que protege os direitos das crianças em regiões em conflito.
  • "Israel se sobrepõe à lei humanitária internacional ao aplicar 'ordens militares' aos palestinos", denuncia a ANP.

  • Em Belém havia uma floresta. Hoje há uma colônia sionista. Esta semana o governo israelense anunciou que construirá mais 900 casas lá.
  • As novas construções bloquearão a contiguidade territorial entre Jerusalém oriental e Belém, além de colocar uma barreira a mais para inviabilizar Jerusalém leste como capital da Palestina. Quem afirma é Hagit Ofran, que monitora a atividade das colônias para o grupo Peace Now.

  • Chegou hoje ao Cairo a delegação do Hamás, chefiada por Khalid Meshal -- líder do partido no exílio --, que vai se encontrar com representantes do Fatah neste domingo, na capital egípcia. Na pauta, a agenda do "governo de transição", previsto no acordo firmado em maio por todos os 13 partidos palestinos.
  • Relembrando: Fatah e Hamás se desentenderam em 2006, depois de o Hamás vencer as eleições legislativas de 2006. A briga esquentou em junho de 2007, quando o Hamás expulsou de Gaza oficiais de segurança leais ao Fatah e à Autoridade Nacional Palestina e assumiu o controle da faixa costeira.
  • Os dois principais partidos só voltaram a se encontrar depois de intensa mobilização popular pela unidade política na Palestina e de uma série de encontros envolvendo líderes políticos, diplomatas e intelectuais.
  • Outro tema na pauta de Meshal é a troca do prisioneiro israelense Gilad Shalit por palestinos presos nas celas de Israel. Fontes confirmaram que Meshal finalmente aceitará os termos do acordo.
  • É pagar para ver, embora, politicamente, essa seja uma boa jogada. O reconhecimento do Estado palestino na ONU pode tropeçar na libertação de Shalit. Como todos sabemos, a "comunidade internacional" está se lixando para os mais de 10 mil palestinos presos em Israel -- todos presos políticos. Entre eles há 363 crianças. Eram 364, mas meu vizinho Mahmoud foi solto em julho. 
  • A grande preocupação -- ou melhor, a MINHA grande preocupação -- é a decisão de formar um governo de transição composto de tecnocratas. Impossível esquecer que decisão semelhante foi tomada na África do Sul pós-apartheid. Lá o "governo de tecnocratas", constituído por pregadores da cartilha neoliberal, implantou sua receitinha básica de como enriquecer os ricos e empobrecer os pobres e nem tomou conhecimento da Carta do Povo, com as demandas populares. Deu no que deu.
  • Há evidências de que a mesma coisa pode acontecer aqui. Mas só conto quais são depois de apurá-las.
  • Estranhamente, Abbas, presidente da ANP, vai se encontrar com Mubarak no Egito. A informação é do jornal israelense Haaretz e não consegui confirmá-la (nem negá-la). Fica o registro. A ver se os fatos o confirmam.
  • Do Cairo, Abbas voa para a Arábia Saudita, parceira de Israel e dos EUA. Mubarak, casa de Saud... Tsc, tsc, tsc... Fiquemos de olho nessa agenda esquisita, para dizer o mínimo.
  • Conversando com meus amigos israelenses do grupo Anarquistas Contra o Muro, na sexta-feira, descobri que eles, que sabem de tudo, pouco ou nada sabiam do novo projeto de lei "antiterrorismo" de Israel -- aquele que vai permitir prisões com base em denúncias sem apuração e condenação por meio de "acusações secretas", entre outras medidas a la Inquisição.
  • Se os anarquistas, sempre muito bem-informados, não têm conhecimento do projeto de lei, nem de que ele já passou pela primeira leitura (faltam só mais duas) no plenário do Knesset, o parlamento israelense, fica a impressão de que o restante da população de Israel não deve nem ter ouvido falar do tal projeto.
  • Na certeza de que o parlamento age às escondidas, aproveitando que a atenção do público está no custo de vida e na injustiça social que o alimenta, pedi-lhes que levassem a notícia às ruas e ao acampamento. É preciso impedir a aprovação desse projeto, mais um golpe da extrema direita para criminalizar, agora "legalmente", os palestinos.
  • Se transformado em lei, o texto permitirá que qualquer cidadão seja acusado de "terrorista". Basta a palavra de algum inimigo.
  • E quem garante que passeatas não violentas não entrarão no Index sionista como "atos terroristas"?
  • E quem garante que uma turma de crianças atirando pedras nos veículos do exército israelense não será considerada "grupo terrorista"?
  • O projeto legaliza prisões administrativas, impedimento de o acusado ver advogados e juízes e até mesmo de conhecer do que está sendo acusado. Nisso ele supera a Inquisição. Ao menos lá o réu sabia o que o levara à prisão, à tortura e à pena de morte.
  • Temo que grupos pacifistas e de direitos humanos sejam também considerados "grupos terroristas".
  • O projeto, além de ilegal diante da Lei Básica de Israel e do direito internacional, viola os direitos de livre expressão e de livre associação. Estimula o dedo-durismo e a vigilância de uns sobre outros.

  • Outro projeto, apresentado por 40 parlamentares de direita, muda a definição de "Estado judeu e democrático" de Israel para "lar nacional do povo judeu".
  • Segundo o projeto, o caráter judeu do país deve prevalecer sobre o caráter "democrático". O hebreu passa a ser a língua oficial.
  • O terceiro ponto é o estímulo ao aumento da imigração de judeus e verba para alocá-los.
  • Isso significa mais confisco de terras palestinas.

  • É... o pedido de renúncia feito a Netanyhau precisa ser estendido ao Knesset. Eleições gerais já!


  • Perguntaram-me se a renúncia de Netanyhau ajudaria a causa palestina. Talvez, mas sozinha a renúncia não vale muita coisa. O Lieberman ainda estará no governo, e a extrema-direita domina o parlamento.
  • A esquerda israelense não tem nenhum nome ou partido forte o bastante para liderar um processo político de mudança, de correção de rota. Por isso, no caso de eleições gerais, os israelenses não terão muita opção. A menos, claro, que o atual despertar os leve a perceber que seus verdadeiros inimigos estão à direita, no espectro político.
  • Israel não precisa de reformas, e sim de uma revolução.

  •  Seis refugiados palestinos mortos neste fim de semana -- que aqui cai na sexta e no sábado, cinco deles no campo de refugiados de Hama, ao norte de Damasco, na Síria. Os assassinos, motociclistas mascarados, passaram pelo campo atirando, disse uma testemunha. A sexta vítima vivia no campo de refugiados Ain Al-Helweh, no Líbano, e morreu numa confrontação entre facções rivais.
  • Na Síria, há vários feridos; no Líbano, oito, todos em estado grave.
  • Na Cisjordânia, as manifestações da sexta-feira contra o muro, as colônias e a ocupação foram recebidas, mais uma vez, com bombas de gás lacrimogêneo e sonoras, além de balas de metal coberto de borracha e o skank (gambá), caminhão que atira água química com cheiro ruim e forte nos manifestantes. 
  • O exército sionista ocupou Burin, vila de Nablus, impedindo a entrada e a saída de pessoas. A porta-voz do exército anunciou que a medida foi tomada para impedir que israelenses entrassem na vila.
  • Esse é um problema recorrente em Burin, Nabi Saleh, Al-Tuwani: os colonos judeus invadem as vilas, assustam os moradores, atacam crianças, queimam casas e plantações, atiram nos palestinos e os ativistas internacionais com munição letal.
  • Esta semana, foram incendiadas plantações em Turmus'Ayya (Ramallah), Burin, Awarta e Jalud (Nablus). Cerca de 400 oliveiras e almendoeiras foram danificadas.
  • Em vez de fechar as vilas, que tal perseguir e prender os colonos criminosos e levá-los aos tribunais? O que eles fazem é crime também em Israel.
  • Só que as cortes precisariam ser muito apegadas à justiça para condená-los. Os colonos extremistas têm representantes em postos-chave da administração de Israel. Segundo Uri Avnery, da associação pacifista Gush Shalom, são eles que mandam no governo, hoje.
  • E seus amiguinhos atacaram cinco ativistas internacionais que acompanhavam crianças em Al-Tuwani. Lá, nenhuma criança pode sair sozinha ou em grupos, porque os colonos atiram pedras nelas. Por isso, só saem acompanhadas de ativistas. Pois eles, que já foram vítimas até de facada, voltam a ser atacados.
  • Dona ONU, ninguém vai fazer nada para impedir essa loucura? Que tal enviar tropas para vigiar esses colonos e impedir que eles machuquem os não judeus?

  • Não bastou atacar o Freedom Theatre no começo da semana e prender dois de seus integrantes, entre os quais o personagem principal de Esperando Godot. O exército de Israel, insaciável, quis mais.
  • Então deteve, no checkpoint de Shave Shomeron, perto de Jenin, o estudante de arte dramática Rami Awni Hwayel, de 20 anos, que voltava para Ramallah depois de ensaiar.
  • Rami foi algemado e teve os olhos vendados. Por quê? O exército não soube responder. Para variar, claro.
  • Falta de água por aqui. Vocês sabem que, no verão, os colonos enchem suas piscinas, e, para permitir esse caprichozinho, Israel diminui a água enviada à Cisjordânia. Aqui em casa ficamos a seco esta semana. Hoje à tarde a torneira do jardim nem mesmo pingou quando a abri.
  • Relembrando: só 14% de toda a água que Israel roubou da Palestina vai para os palestinos. 86% vão para os colonos, que são em número muuuuuito menor do que os moradores das vilas e cidades da Cisjordânia.
  • Em Gaza, falta energia elétrica. As autoridades responsáveis anunciaram que o problema vem de uma falha num cabo vindo de Israel, e que o país ainda não tomou nenhuma providência para consertá-lo.

  • Pesquisando sobre a Síria para matéria que sairá no Brasil de Fato, vou mexendo nos peões sobre o mapa desta parte do mundo e percebo com clareza a jogada de Israel-EUA-OTAN de tentar se apoderar não apenas de países ricos em petróleo e gás como também de suas linhas de distribuição.
  • Dois coelhos numa cajadada, pois, além de apossar-se das riquezas naturais, Israel-EUA-OTAN evitam que elas cheguem até a China, impedindo o crescimento do país e tornando-o refém dos ocidentais.
  • Plano perfeito, não fosse a resistência nos países árabes para atrapalhá-lo. Mas a OTAN, que sofre derrota após derrota na Líbia, não aprende. Prepara-se para invadir a Síria, onde mais uma vez será vencida.
  • A Rússia já se posicionou contra, e a China a seguirá -- evitando o erro que cometeram no caso líbio.
  • Houve tempo em que os EUA eram mais poderosos. Na América Latina dos anos 1960-1970, por exemplo, foi fácil implantar ditaduras e dominar a cena política e econômica, além de lucrar com a exploração dos recursos naturais da região.
  • Agora eles descobriram que a tentativa de domínio pode ser acompanhada de lutas armadas. Assim as indústrias bélicas aproveitam e também tiram sua casquinha.
  • Ainda não descobriram, porém, como os árabes se organizam e quais são suas táticas de luta para impor derrotas seguidas a exércitos bem armados e com milhares de soldados.
  • A nova "Cruzada" ocidental também está destinada ao fracasso. Saravá!