quinta-feira, 9 de junho de 2011

Instituto sionista ameaça empresas que prestarem serviços à Flotilha da Liberdade

O Mávi Mármara, de bandeira turca, vítima do ataque naval israelense que deixou nove pacifistas mortos em 2010, também estará na Flotilha da Liberdade deste ano.

Baby Siqueira Abrão*
De Bil'in, Palestina

Não é somente o governo de Israel que promete ações contra a Flotilha da Liberdade, que sairá no final de junho com mais de 1.500 pacifistas levando ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, sob bloqueio sionista desde 2007. Depois do patético apelo de Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, para que os governos evitem a saída de navios e cidadãos rumo à costa palestina, um instituto sionista sediado em Tel Aviv, Shurat HaDin Israel Law Center[1], pretende impedir a navegação das embarcações ameaçando as empresas de prestação de serviços com ações judiciais.

A primeira providência foi o envio de cartas às seguradoras marítimas da Europa e da Turquia. O Shurat HaDin advertiu-as de que, caso negociem seguros com “algum navio da Flotilha levando recursos materiais para o Hamás”, serão criminalmente responsabilizadas, nos tribunais dos Estados Unidos, por “ataques terroristas perpetrados” pelo partido político palestino – que não é e nunca foi uma organização terrorista, como a propaganda sionista afirma com estudada frequência. Além disso, ao contrário do que também afirma a propaganda sionista, nenhum dos navios da Flotilha carregará armas ou componentes para fabricá-las. De todo modo, a carta já assustou algumas seguradoras, uma vez que o sistema judiciário dos EUA, também sob influência sionista, pode prejudicá-las. A Lloyd’s, maior empresa de seguro marítimo do mundo, já adiantou que não negociará com os navios da Flotilha. E um acordo com a International Union of Marine Insurance (a associação internacional do setor de seguros marítimos) garantiu ao Shurat HaDin que as cartas serão enviadas  a todos os associados.

Detalhe: sem seguro marítimo, nenhum navio tem permissão para navegar.

O segundo passo foi uma carta à Inmarsat, única companhia que oferece serviços de telecomunicação por satélite às embarcações que cruzam aquela região, solicitando que não faça negócios com a Flotilha. É bom lembrar que em 2010 Israel cortou os sinais de satélite para os navios que faziam parte da frota, mas não conseguiu impedir que a rede de TV Al Jazeera e os pacifistas conectados à internet enviassem notícias da abordagem militar ao mundo todo. Isso porque, prevendo esse tipo de ação por parte dos sionistas, os coordenadores da Flotilha já haviam providenciado sinais alternativos.

Dessa vez, o objetivo é impedir a comunicação entre os navios e a opinião pública internacional, para que ninguém testemunhe o ataque das forças navais sionistas à frota. Nitsana Darshan-Leitner, diretora do Shurat HaDin, informou ter alertado a Inmarsat de que, se negociarem com os pacifistas, “estarão violando o American Neutrality Act, que proíbe ajuda a qualquer grupo que lute contra os militares de um país aliado. Como a Inmarsat tem escritórios nos Estados Unidos, é obrigada a respeitar essa lei".

Segundo Darshan-Leitner, o governo israelense, adepto de ameaças e soluções militares, costuma deixar de lado outros tipos de saída. “Não há aí nenhuma crítica ao exército”, afirma ela. “Apenas pensamos que a guerra à Flotilha não deve ser travada somente pelas Forças Especiais. Elas não vão lutar sozinhas. Existem várias outras maneiras de prevenir, adiar, limitar e afastar o perigo, e a força nem sempre é o melhor caminho”.

Só faltou explicar que tipo de perigo representam 1.500 pacifistas desarmados, dispostos a furar um bloqueio considerado ilegal pelo Direito internacional a fim de levar a mais de 1,5 milhão de pessoas tudo aquilo a que os sionistas não permitem o acesso, como medicamentos dentro do prazo de validade, alimentos nutritivos, brinquedos, material escolar e de construção, instrumentos médicos e cirúrgicos e até mesmo papel para receituários.





[1] Shurat HaDin Israel Law Center apresenta-se como defensor de direitos civis e “líder mundial no combate a organizações terroristas e aos regimes que as apóiam por meio de ações em tribunais de todo o mundo”, segundo informa seu website (www.israellawcenter.org). Costuma oferecer a estrangeiros tours de uma semana, ao custo de quase U$ 3 mil, mostrando os “sistemas de segurança” sionistas contra os “grupos terroristas palestinos” – mas apenas cita o Hamás, que não é uma organização terrorista. Esses tours entram em território palestino e convidam os participantes até mesmo a participar de incursões militares nas vilas palestinas, um modo sórdido de fazer turismo.



* com informações de Ron Friedman, The Jerusalem Post, Iara Lee e Shurat HaDin Israel Law Center.

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