domingo, 10 de outubro de 2010

"Não seremos cidadãos de um Estado fascista"

Intelectuais, artistas, acadêmicos e figuras públicas de Israel protestaram, em Tel Aviv, contra a "Lei de juramento de fidelidade" proposta hoje pelo governo israelense, e acusaram o país de tornar-se um "Estado fascista". "Não seremos cidadãos do Estado fascista que pretendem que Israel seja" afirmaram eles.

Gush Shalom, Israel, 10/10/2010
Tradução: Baby Siqueira Abrão


"Somos cidadãos de Israel, que foi descrito, na Declaração de Independência, como um país em busca de paz, baseado nos princípios da igualdade e das liberdades civis. Não pretendemos ser os cidadãos de um Estado que se propõe a ser antidemocrático e que se torna fascista ", proclamaram intelectuais, figuras públicas e laureados com o Prêmio Israel, reunidos esta tarde para uma manifestação de protesto contra a"Lei de juramento de fidelidade" aprovada pelo governo. O protesto foi realizado no Tel Aviv Rothschild Boulevard, em frente ao edifício do museu, onde David Ben Gurion leu a Declaração da Independência [consolidando a Nakba, a tragédia dos palestinos] em 1948.
Embaixo da estátua de Meir Dizengoff, primeiro prefeito de Tel Aviv, a atriz Hanna Meron leu um trecho da Declaração de Independência: "O Estado de Israel será baseado na liberdade, na justiça e na paz, como imaginado pelos profetas, e assegurará completa igualdade de direitos políticos e sociais para todos os seus habitantes, sem distinção de raça, religião ou sexo, e garantirá liberdade de religião, consciência, linguagem, educação e cultura, e irá preservar os lugares sagrados de todas as religiões, e será fiel aos princípios da Carta das Nações Unidas". Ela observou que, 62 anos depois, a realidade de Israel é muito diferente daquela que a Declaração de Independência previra. No final da manifestação, uma "Declaração de Independência do Fascismo" foi assinada.
Entre os participantes na iniciativa estavam
 Shulamit Aloni, Uri Avnery, Alex Ansky, Shery Ansky, Menachem Brinker, Ran Cohen, Ruth Cohen, Yaron Ezrachi, Galia Golan, Haim Guri, Sna'it GISIS, Yoram Kaniuk, Dani Karavan, Yehoshua Knaz, Elia Leibowitz, Alex Libak, Hanna Meron, Sammy Michael, Merav Michaeli, Sefi Rachlevsky, Gabi Salomão, David Tartakower, Micha Ullman e muitos outros.

Segue o texto completo da Declaração de Independência do Fascismo:

"Um Estado que invade à força o reino sagrado do indivíduo, da consciência cidadã, e que impõe punição àqueles cujas opiniões e crenças não se encaixam nas opiniões das autoridades e no 'caráter' prescrito do Estado, deixa de ser uma democracia e torna-se fascista.
O Estado de Israel foi proclamado atrás das escadas onde nos encontramos. O Estado que cada vez mais toma o lugar de Israel -- e que enche o país com uma legislação racista, promovida pelo Knesset [o Congresso israelense] e pelo gabinete [do governo] -- exclui a si mesmo da família das nações democráticas. Portanto, nós, cidadãos de Israel, assim considerados pela Declaração de Independência, declaramos que não seremos os cidadãos do país que pretendem que Israel seja, um país que viola o seu compromisso básico com os princípios da igualdade, da liberdade civil e da sincera aspiração para a paz -- princípios em que o Estado de Israel foi fundado."



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