Com tanta informação pululando, nos portais internacionais, sobre a proximidade de uma guerra mundial, a gente se põe a pensar na vida. E se ela acabar assim, de repente, "de susto, de bala ou vício", como cantava Caetano Veloso em "Soy loco por ti, América"?
Nesse caso, os povos palestinos e israelenses nunca terão conhecido um cotidiano tranquilo. Ódios serão enterrados e exemplos de boa vontade de ambos talvez passeiem pelo cosmo, levados pelas ondas eletromagnéticas, até sabe-se lá quando e onde.
Na África e no Haiti acabarão a fome e a miséria, mas ninguém haverá de usufruir do fato.
Nas Américas não existirá mais Amazônia, nem Cerrado, nem Mata Atlântica, e ninguém terá como impedir. A nova história do continente sul-americano, que vem sendo escrita por governos populares legitimamente eleitos, terminará no baixar das cortinas do primeiro ato.
Biliardários donos do planeta, responsáveis pela Nakba final, estarão despossuídos de bens, investimentos, ambições, crimes... e de si mesmos.
E eu? E você? E nós?
Irei tranquila: fiz, o tempo todo, tudo que pediram a consciência e o coração. Projetos não realizados? Muitos. Mas não terei mais a expectativa de executá-los. Será um momento zen que não haverei de desfrutar.
Nossa aventura na Terra estará terminada. E o planeta, aliviado, começará tudo de novo -- como já fez outras vezes.
Se acontecer, hipótese de que duvido, estaremos, enfim, em paz. Segundo minha crença, as partículas/ondas que um dia fomos nós voltarão a circular no espaço, aglutinando-se de novas maneiras, em formas que talvez nunca mais lembrem a figura humana. Guardarão restos de nossas memórias?
Futuro
Cecília Meirelles
É preciso que exista, enfim, uma hora clara,
depois que os corpos se resignam sobre as pedras
como máscaras metidas no chão.
Por entre as raízes, talvez se veja, de olhos fechados,
como nunca se pode ver, em pleno mundo,
cegos que andamos de iluminação.
Perguntareis: “Mas era aquilo, o teu silêncio?”
Perguntareis: “Mas era assim, teu coração?”
Ah, seremos apenas imagens inúteis, deitadas no barro,
do mesmo modo solitárias, silenciosas,
com a cabeça encostada à nossa própria recordação.
como máscaras metidas no chão.
Por entre as raízes, talvez se veja, de olhos fechados,
como nunca se pode ver, em pleno mundo,
cegos que andamos de iluminação.
Perguntareis: “Mas era aquilo, o teu silêncio?”
Perguntareis: “Mas era assim, teu coração?”
Ah, seremos apenas imagens inúteis, deitadas no barro,
do mesmo modo solitárias, silenciosas,
com a cabeça encostada à nossa própria recordação.
Se não acontecer, o que é mais provável, talvez possamos mudar de atitude. E, como a israelense Noa (belíssima!) e o árabe Khaled, talvez sejamos capazes de juntar nossas vozes para cantar um novo mundo.
(Agradeço ao amigo Macluf, de origem árabe como eu, o envio do vídeo.)
Assalaam aleikum!
Clique na imagem para vê-la inteira no You Tube. As fotos do vídeo são de Gaza.
Outra versão da mesma canção, com Noa, Khaled e artistas de outras nacionalidades. Uma prévia do que palestinos, israelenses e convidados cantarão juntos quando a Grande Palestina/Israel secular e democrática for criada para abrigar a todos. E então passarei os verões lá, trabalhando na reconstrução de Gaza. Com meus amigos Mazen (palestino) e Maria Helena (descendente de libaneses), Oscar e Maria Agusta (judeus). Te esperamos lá!
Semana que vem iniciaremos a série A gente vai levando (você corta um verso/eu escrevo outro), dedicada às boas ideias da gente criativa de Gaza, na tentativa de encontrar um pouco de normalidade naquela vida de exceção.
Si, hermanos, no hay que perder la ternura -- ni la fuerza, ni la esperanza -- jamás.

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