
Soldados em avião de guerra, em imagem da Reuters: "só mesmo embriagado ou muito louco", como nos versos de Chico Buarque. As guerras provocadas pelos EUA, além da destruição dos países-vítimas e de suas populações, além das baixas no próprio exército estadunidense, provocam depressão e suicídio entre os oficiais que saem vivos do conflito. Informe oficial do exército dos EUA reporta que o mês de junho de 2010 foi o pior de todos, no setor: 32 suicídios, entre soldados da ativa, reservistas e tropas da Guarda Nacional estadunidense.
Fidel Castro continua afirmando que as evidências são claras: EUA e Israel invadirão o Irã. Ele se baseia nos navios e submarinos de guerra que já estão no Golfo Pérsico -- conforme Parallaksis informou em 22 de junho na postagem "Guerra à vista?" -- e num artigo de Rick Rozoff sobre a potência destruidora da nova estratégia de guerra dos EUA, o Ataque Global Imediato, do qual a população do Irã deve ser a cobaia. O AGI pode tirar do mapa, em questão de horas, o Oriente Médio e a própria Ásia, com consequências imprevisíveis para o restante do planeta.
Essa nova estratégia, na minha avaliação, foi planejada há muito tempo. O ataque às torres gêmeas de 11 de setembro de 2001, realizado pelos serviços secretos de EUA e Israel, foram parte da preparação para tornar possível essa estratégia. Como disse, à época, um ex-diretor do serviço secreto alemão, o 11/9 foi pensado para atemorizar a população mundial, como um todo, e a dos EUA em particular, para que, em nome de uma suposta "segurança", dessem seu aval a ações mais diretas em relação à guerra contra etnias satanizadas pelo sistema Israel/EUA -- entre elas, árabes e persas --, à progressiva diminuição de direitos civis e de direitos humanos.
Alea iacta est.
Acompanhe, a seguir, a análise de Fidel, traduzida por mim.
Eu disse em 4 de julho que "nem os Estados Unidos nem o Irã cederiam. O primeiro, pelo orgulho dos poderosos; o segundo, pela resistência à opressão e pela capacidade de combate, como já aconteceu muitas vezes na história ..."
Em quase todas as guerras, uma das partes tenta evitá-la, e às vezes ambas fazem isso. Quando uma das partes quer a guerra, ela acontece, como atestam as duas guerras mundiais, de 1914 e 1939, com apenas 25 anos de distância entre uma e outra.
A matança foi espantosa, e não teria acontecido não fossem os erros prévios nos cálculos. As partes envolvidas nas duas guerras defendiam interesses imperialistas, e acreditavam que atingiriam seus objetivos sem o terrível custo envolvido.
No caso em apreço, uma das partes [Irã] defende interesses nacionais, o que é justo. A outra parte [EUA/Israel] persegue propósitos bastardos e interesses materiais grosseiros.
Se analisarmos todas as guerras que tiveram lugar durante a história conhecida de nossa espécie, veremos que esses objetivos sempre estiveram em jogo.
São ilusões absolutamente inúteis pensar que, dessa vez, esses objetivos serão atingidos sem a mais terrível de todas as guerras.
Em um dos melhores artigos publicados no site da Global Research, na quinta-feira, 1 de julho [Fidel deve ter errado a data; não encontrei o artigo], Rick Rozoff apresenta provas abundantes e inapeláveis sobre os objetivos dos Estados Unidos, que qualquer pessoa bem informada deve saber.
"... Você pode ganhar se o adversário souber que [esse mesmo adversário] é vulnerável a um ataque instantâneo e indetectável, esmagador e devastador, que não lhe dê oportunidade de se defender ou retaliar", pensa os EUA, segundo Rozoff.
"... Um país que aspira a continuar o único Estado, na história, a deter o domínio militar de espectro total em terra, ar, mar e no espaço."
"Os EUA mantêm e ampliam bases militares e tropas, grupos de combate em porta-aviões e bombardeiros estratégicos em quase todas as latitudes e longitudes. E que faz isso com um orçamento recorde de guerra, em comparação com os do pós-Segunda Guerra Mundial: 708 bilhões de euros para o próximo ano."
Os EUA foram "... o primeiro país desenvolvido a usar armas nucleares..."
E "... conserva 1.550 ogivas nucleares em posição de ataque (3.500, de acordo com algumas estimativas), mais 2.200 em estoque e uma tríade de veículos de lançamento terrestres, aéreos e submarinos".
"O arsenal não nuclear usado para neutralizar e destruir as defesas aéreas estratégicas e, potencialmente, todas as grandes forças militares de outras nações, será composto de mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos adaptados para lançamento de submarinos, mísseis de cruzeiro, bombardeiros supersônicos e bombardeiros estratégicos super-stealth, capazes de evitar a detecção por radar e evitar as defesas terrestres e aéreas."
Rozoff enumera as várias conferências de imprensa, reuniões e declarações, nos últimos meses, dos chefes do Estado Maior Conjunto e de altos executivos do governo dos Estados Unidos.
Explica a compromissos com a OTAN, e a cooperação reforçada com parceiros no Oriente Médio, leia-se Israel. Ele diz: "Os EUA também intensificaram os programas de guerra espacial e cibernética, com potencial para paralisar os sistemas de supervisão e comando militar, controle, comunicações, informática e inteligência de outros países, levando-os ao desamparo em todas as áreas, fora da estratégia mais básica".
Fala também da assinatura em Praga, em 8 de abril deste ano, do novo Tratado START entre Rússia e Estados Unidos, que "... não contém nenhuma restrição sobre o potencial real ou projetado de um ataque global convencional dos EUA".
Rozoff refere-se a vários relatórios sobre o assunto, e apresenta com um exemplo aniquiliante os propósitos dos Estados Unidos.
Ele observa que "...O Departamento de Defesa explora atualmente toda a gama de tecnologias e sistemas para uma capacidade de Ataque Global Convencional Imediato que poderia oferecer ao presidente opções mais verossímeis e tecnicamente adequadas para enfrentar ameaças novas e em desenvolvimento".
Mantenho a opinião de que nenhum presidente, até mesmo o líder militar mais experiente, teria um minuto para saber o que deve ser feito caso isso já não estivesse programado em computadores.
Rozoff, imperturbável, relata o que afirma a análise de Elaine Grossman, "O custo do teste de um míssil de ataque global dos EUA pode chegar a U$ 500 milhões", publicada em Global Security Network.
"O governo Obama pediu 239.900 milhões de dólares para pesquisa e desenvolvimento de ataque global imediato, a ser realizados pelos serviços militares, no ano fiscal de 2011... Se os níveis de financiamento permanecerem como o previsto, nos próximos anos o Pentágono terá gasto cerca de 2 bilhões de dólares em ataque global imediata até fins do ano fiscal de 2015, de acordo com documentos do orçamento apresentados ao Congresso no mês passado."
"Um cenário de horror comparável aos efeitos de um ataque de PGS, versão baseada no mar, surgiu há três anos em Popular Mechanics:
'No Pacífico, emerge um submarino nuclear da classe Ohio, pronto para a ordem de lançamento do presidente. Quando a ordem chegar, o submarino vai disparar aos céus um míssil Trident II de 65 toneladas. Em dois minutos, o míssil voará a mais de 22 mil quilômetros por hora. Sobre os oceanos e fora da atmosfera, pode acelerar por milhares de quilômetros.
'No auge da sua parábola, no espaço, as quatro ogivas do Trident se separam e iniciam a descida em direção ao planeta.
'Voando a 21.000 km/h, as ogivas vão repletas de barras de tungstênio com o dobro da resistência do aço.
'Sobre o alvo, as ogivas detonam, fazendo chover sobre a área as milhares de barras -- cada qual com 12 vezes a força destrutiva de uma bala de calibre .50. Tudo o que se encontrar num raio de 279 metros quadrados dessa vertiginosa tempestade de metal é aniquilado.'
Rozoff explica, em seguida, a declaração de 7 de abril deste ano do chefe do Estado-Maior Conjunto das forças armadas russas, general Leonid Ivashov, numa coluna intitulada "A surpresa nuclear de Obama".
Também faz referência ao discurso do presidente dos Estados Unidos no ano passado, em Praga, com as seguintes palavras: "A existência de milhares de armas nucleares é o legado mais perigoso da guerra fria". Sobre a assinatura de Obama no START II, mesma cidade, em 8 de abril, Rozoff comenta:
"Não é possível encontrar na história dos EUA, no século passado, um único exemplo de sacrifício das elites estadunidenses para a humanidade ou para os povos de outros países. Seria realista esperar que a chegada de um presidente afro-estadunidense à Casa Branca mudaria a filosofia política do país, tradicionalmente orientada para a dominação global? Aqueles que acreditam que algo semelhante seja possível devem tentar compreender por que os Estados Unidos -- país com o maior orçamento militar do mundo, maior do que os orçamentos, somados, de todos os outros países -- continua a gastar enormes somas de dinheiro em preparativos para a guerra".
"...o conceito de Ataque Global Imediato prevê um ataque concentrado, com duração entre 2 e 4 horas, utilizando milhares de armas convencionais de precisão que destruiriam as infra-estruturas principais do país-alvo, forçando-o a se render."
"O conceito de Ataque Global Imediato visa a garantir o monopólio dos EUA no campo militar e a aumentar o fosso entre esse país e o resto do mundo. Em combinação com a implantação da defesa antimíssil que supostamente deveria manter os EUA imunes aos ataques em represália da Rússia e da China, o Ataque Global Imediato vai transformar Washington num ditador global da era moderna."
"Essencialmente, a nova doutrina nuclear dos EUA é um elemento da nova estratégia de segurança do país, que seria descrita de modo mais adequado como a estratégia de impunidade total. Os EUA aumentam seu orçamento militar, dá redeas soltas à OTAN como polícia do mundo, e planeja exercícios numa situação real, no Irã, para testar, na prática, a eficácia do Ataque Global Imediato. Ao mesmo tempo, Washington fala de um mundo totalmente livre de armas nucleares."
Em essência, Obama quer enganar o mundo quando fala de uma humanidade livre de armas nucleares, que seriam substituídas por outras, altamente destrutivas, mais idôneas para aterrorizar os dirigentes dos Estados e atingir uma nova estratégia de impunidade total.
Os ianques acreditam que a rendição do Irã está próxima. Espera-se que a União Europeia anuncie um novo pacote de sanções ao Irã em 26 de Julho [N. da T.: por pressão dos EUA].
A última reunião do 5 +1 ocorreu em 2 de julho, depois de o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ter afirmado que seu país "vai retomar as negociações no final de agosto, com a participação de Brasil e Turquia".
Um oficial sênior da UE advertiu de que "nem o Brasil, nem a Turquia serão convidados a participar nas negociações, ao menos neste momento".
"O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manouchehr Mottaki, declarou-se a favor de desafiar as sanções internacionais e continuar com o enriquecimento de urânio."
Desde terça-feira, 5 de julho, os iranianos argumentam -- diante da reiteração europeia de promover sanções adicionais contra o Irã -- que não negociarão até setembro.
A cada dia diminuem as possibilidades de superar o obstáculo intransponível.
É tão óbvio o que vai acontecer que podemos prever quase exatamente.
De minha parte, devo fazer uma autocrítica, pois cometi o erro de dizer, na reflexão de 27 de junho, que na quinta-feira, na sexta ou, no mais tardar, no sábado, o conflito seria desatado. Já era sabido que os navios de guerra israelenses navegaram em direção ao Golfo Pérsico, com esse objetivo, junto com as forças navais ianques. O mandado de busca para os cargueiros iranianos já foi dado.
No entanto, não me dei conta de que havia uma etapa preliminar: a constância da negação da autorização para a inspeção dos cargueiros, por parte do Irã. Na análise da linguagem tortuosa do Conselho de Segurança [da ONU], que impôs sanções contra o país, não percebi esse detalhe, para que a ordem de inspeção adquira plena vigência. Era a única coisa que faltava.
Em 8 de agosto expira o prazo de 60 dias dado pelo Conselho de Segurança, em 9 de junho, para receber informações sobre o cumprimento da resolução.
Mas algo realmente lamentável aconteceu. Eu trabalhava com o mais recente material produzido, sobre a questão, pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba, e o documento não continha dois pontos-chave da resolução, os últimos, que estabeleceram o seguinte:
"Solicita que, no prazo de 90 dias, o diretor-geral da AIEA [N. da T.: International Atomic Energy Agency, ou Agência Internacional de Energia Atômica] apresente ao Conselho de Dirigentes da AIEA e, paralelamente, ao Conselho de Segurança, para consideração, um relatório indicando se o Irã empreendeu à suspensão completa e sustentada de todas as atividades mencionadas na resolução 1737 (2006), e se está aplicando todas as medidas exigidas pelo Conselho de Dirigentes da AIEA e cumprindo as demais disposições das resoluções 1737, 1747, 1803 e esta resolução;
"Afirma que analisará as ações do Irã à luz do relatório referido no parágrafo 36, a ser apresentado no prazo de 90 dias, e:
a) suspenderá a aplicação das medidas se o Irã suspender todas as atividades relacionadas ao enriquecimento e reprocessamento [de urânio], incluindo pesquisa e desenvolvimento, e enquanto durar a suspensão, verificada pela AIEA, para permitir negociações em boa fé para chegar a um resultado rápido e mutuamente aceitável;
b) deixa de se aplicar medidas especificadas nos parágrafos 3, 4, 5, 6, 7 e 12 da Resolução 1737; nos 2, 4, 5, 6 e 7 da resolução 1747; 3 , 5, 7, 8, 9, 10 e 11 da Resolução 1803; e 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 23 e 24 desta resolução, logo logo como determina, após receber o relatório acima referido, de que o Irã cumpriu integralmente suas obrigações nos termos das resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e as exigências do Conselho de Dirigentes da AIEA, determinação que o próprio Conselho determinará, e
c) se o relatório mostrar que o Irã não cumpriu com as resoluções do Conselho de Segurança 1737, 1747, 1803 e esta resolução, adotará, ao abrigo do artigo 41 do capítulo VII da Carta das Nações Unidas, outras medidas adequadas para persuadir o Irã a cumprir as disposições das resoluções e as exigências da AIEA, e sublinha que tomará outras decisões, se medidas adicionais forem necessárias... "
Algum colega do Ministério, após a extenuante jornada de trabalho na máquina copiadora, fazendo cópias de todos os documentos, certamente adormeceu. Meu desejo de buscar informações e trocar pontos de vista sobre estas questões sensíveis permitiu-me descobrir esta omissão.
Do meu ponto de vista, os EUA e seus aliados da OTAN deram sua última palavra. Dois Estados poderosos, com autoridade e prestígio, não exerceram seu direito de vetar a traiçoeira resolução da ONU.
Foi a única maneira de ganhar tempo para encontrar uma fórmula capaz de salvar a paz, objetivo que lhes teria proporcionado uma autoridade maior para continuar lutando por ela.
Hoje, tudo está por um fio.
Meu objetivo principal foi alertar a opinião pública internacional sobre o que estava acontecendo.
[...]

Fidel Castro Ruz
Julho 11, 2010
8h e 14h
Julho 11, 2010
8h e 14h

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