Afinados com essa campanha, 87 senadores estadunidenses solicitaram recentemente ao presidente Barak Obama que inicie uma investigação para verificar se a ONG turca IHH, uma das principais organizadoras da Flotilha da Liberdade, deve ou não ser inscrita na relação de "grupos terroristas estrangeiros" mantida pelos EUA e utilizada como referência pela maioria dos países ocidentais. Desnecessário dizer como essa iniciativa pode prejudicar as atividades da IHH, que realiza um trabalho humanitário exemplar e reconhecido internacionalmente nas nações mais pobres e atingidas pela violência do mundo -- uma violência, destaque-se, iniciada e mantida direta ou indiretamente pelos EUA.
A cineasta brasileira Iara Lee, sobrevivente do ataque israelense ao Mavi Mármara, publicou em The Huffington Post de 16 de julho um artigo defendendo a IHH e denunciando a criminalização dos pacifistas da Flotilha da Liberdade pelos governos de Israel e EUA, por meio da manipulação da mídia. Embora esse tipo de propaganda fascista seja desacreditado na Europa, na África e nas Américas Central e do Sul, funciona em Israel e nos EUA, cujo público, em sua maioria, é massacrado, iludido e manipulado por falsas informações.
Parallaksis reproduz o artigo de Iara e o vídeo em que o vice-presidente da IHH, Houseyin Oruc, expõe as razões e as atividades da organização humanitária turca.
Iara Lee tem sido uma figura-chave no desmonte das acusações feitas à Flotilha da Liberdade pelos Estados terroristas de Israel e dos EUA. Sua atitude corajosa honra a todos nós, brasileiros, pela defesa intransigente da verdade e pela compreensão de que, enquanto houver no mundo um opressor e um oprimido, todos os habitantes do planeta correm o risco de tornar-se ou um, ou outro. Trata-se de defender, por meio do povo palestino e dos ativistas de sua causa, o que ainda há de humano (no bom sentido) em nós, denunciando a barbárie institucionalizada pelos Estados terroristas e e lutando contra ela.
Hoje, com a estratégia da Ação Global Imediata e com os "brinquedinhos" assassinos guiados por controle remoto desenvolvidos em Israel, com mísseis apontados para o Irã, para a China e para a Rússia, com guerras e seus efeitos torturando e matando a população civil de vários países, como Afeganistão e Iraque, com o descontrole de governantes pressionados por grupos cujos interesses financeiros e sede de poder não conhecem limites, mais do que nunca precisamos nos posicionar contra a barbárie. Estados Unidos e Israel não dominarão o mundo para dar lucros ao complexo industrial-militar que mantêm. Nós não deixaremos.
Resistir é preciso. Já. Antes que a Nakba tome proporções planetárias.
Em tempo: Hamás, Hizbollah e grupos semelhantes NÃO SÃO TERRORISTAS. São organizações que opõem resistência a um inimigo, o Estado terrorista de Israel, tristemente famoso por usar métodos crueis contra as populações de outros países e por ocupar, ou tentar ocupar, nações vizinhas usando de violência. Esses grupos surgiram para combater o inimigo, Israel, e armaram-se porque o inimigo os atacou com armas sofisticadas.
Não fosse Israel, o conflito no Oriente Médio não existiria.
Caluniar os bons: alguns fatos básicos sobre a IHH
Iara Lee
Logo depois do massacre a bordo do Mavi Mármara, em 31 de maio de 2010, enquanto jornalistas e ativistas ficaram presos e isolados do mundo, o governo israelense foi rápido na divulgação de sua própria versão dos acontecimentos. Como aconteceu com a agressão física no navio, o ataque da mídia israelense também foi descuidado, desajeitado, mal-intencionado e perigoso. Eles foram cínicos o suficiente para entender que as primeiras impressões na grande mídia estadunidense são as que contam e, com isso em mente, começaram a lançar freneticamente a palavra "terrorista" em referência às vítimas de seu ataque e a uma das principais organizadoras da Flotilha da Liberdade, a ONG turca IHH. É curioso que poucas pessoas tenham indagado ao governo israelense por que libertou os "terroristas" que tinha sob custódia, e que menos gente ainda tenha solicitado (ou recebido) provas sólidas dessa acusação. Apesar do fato de vários jornalistas corajosos, tanto dos EUA como de outros países, desacreditarem totalmente a versão dos acontecimentos criada por Israel (e que incluiu imagens deliberadamente manipuladas, juntamente com acusações caluniosas de ligação com o terrorismo), o estrago estava feito.
Antes que os porta-vozes do Mavi Mármara pudessem falar em Nova York, como estava programado, sobre o que aconteceu em 31 de maio, os políticos locais começaram a divulgar a retórica de seus apoiadores israelenses, utilizando linguagem insultuosa para demonizar as vítimas do ato ilegal de guerra levado a cabo por Israel. E, mais recentemente, 87 senadores dos EUA pediram ao presidente Obama que dê início a uma investigação para verificar se a IHH deve ser adicionada, ou não, à lista das organizações terroristas estrangeiras mantida pelo país.
Acredito firmemente que as ações falam mais do que as palavras, e nesse sentido pensei que um olhar mais próximo à IHH poderia ajudar. Desse modo, o grupo pode ser julgado com base em suas ações, e não em palavras vazias.
O IHH foi fundado em 1992, como missão humanitária, para oferecer alívio às vítimas feridas e deslocadas da guerra da Bósnia. Eles receberam o Special Consultative Status do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas em 2004, e desde seu registro, em 1995, a IHH -- Fundação para os Direitos Humanos, para as Liberdades e para a Ajuda Humanitária -- reuniu mais de 60 mil voluntários em seus esforços humanitários em 120 países. Desde 31 de maio, o número de voluntários disparou.
Após o ataque ao Mavi Mármara, tive a oportunidade de conversar com o vice-presidente da IHH, Huseyin Oruc, sobre as acusações das ligações com o terrorismo que a organização recebia. Ele não se mostrou interessado em dar importância a essas alegações, mas foi muito enfático sobre a transparência dos trabalhos da IHH ao longo dos anos, e espera que as pessoas considerem os trabalhos de saneamento e assistência médica em larga escala que a organização realiza em todo o continente africano – incluindo 40 mil cirurgias de catarata no Sudão, projetos de limpeza da água na Etiópia e a extensa tarefa de lidar com os órfãos de Iraque, Afeganistão, Paquistão, Bangladesh e Gaza. Embora seja uma organização islâmica, a IHH, segundo me disse Oruc, recusa-se a diferenciar aqueles que precisam de cuidados com base em religião, etnia ou filiação política. Ele lembrou os vários projetos da IHH na América do Sul, onde as populações muçulmanas são mínimas.
Seu modus operandi é simples e direto. Dada a neutralidade de sua missão humanitária, a IHH tem acesso a algumas das regiões mais inacessíveis e perigosas do mundo, para ajudar os mais necessitados. Como a maioria das ONGs, a IHH precisa manter contatos com os governos locais, a fim de chegar a essas populações necessitadas. Por isso, devem comunicar-se com o governo do Hamás em Gaza, para ajudar os civis de lá, e com a Fatah na Cisjordânia, a Al Shabab na Somália, a junta militar em Miamar e assim por diante. Oruc foi taxativo ao declarar que isso não significa que a IHH endossa esses governos, e afirmou que quem investigar seu trabalho encontrará grandes sucessos na ajuda a pessoas comuns em situações de guerra, pobreza e desastres naturais em locais como Haiti, Indonésia e até mesmo Estados Unidos, no rescaldo do furacão Katrina. Ele também me disse que as pessoas são livres para investigar as fontes de financiamento da IHH. A maioria dessas fontes é composta por doadores de classe média e baixa, ao passo que o restante da ajuda é conseguida em feiras de alimentos, leilões de artefatos da Turquia e outros eventos culturais. Pela sua própria missão, a IHH não se submete a nenhum governo e a nenhum interesse comercial.
É preciso lembrar que um ataque à IHH é um ataque a todos os grupos de ajuda humanitária do mundo. Dado que a IHH está entre as ONGs humanitárias mais corajosas do planeta – com voluntários que arriscam suas vidas para trabalhar em lugares como a Somália e a limpar a desordem deixada pelos EUA no Iraque e no Afeganistão –, os políticos estadunidenses deveriam agradecê-los em vez de tentar manchar sua reconhecida reputação cinco estrelas. Felizmente, os trabalhos da IHH falam por si, assim como as ações de seus acusadores – uma comparação nada favorável para o governo de Israel quando se busca saber quem, exatamente, são os terroristas.
Assista ao curta-metragem da ONG Culturas de Resistência, mantida por Iara Lee:
Love Boat or Hate Boat? An Interview with IHH from Cultures of Resistance on Vimeo.

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