segunda-feira, 12 de julho de 2010

A dança no lugar da matança

Hebron é uma das cidades mais antigas do mundo. Israel a considera área de segurança militar e instalou ali 18 postos de controle, que impedem a livre movimentação de palestinas e palestinos. Instalou também um dos assentamentos ilegais (conjuntos de residências vendidas a preço baixo para judeus da ala mais radical do sionismo) que espalha em território palestino, com o objetivo de tomá-lo de facto.
Na semana passada, Hebron foi palco de uma experiência interessante. Os soldados israelenses que faziam a "segurança" do assentamento Tel Rumeid  -- onde vivem aproximadamente 500 judeus armados que frequentemente atacam os palestinos, segundo a organização israelense de direitos humanos B'Tselem (http://www.btselem.org/english/hebron/index.asp) -- resolveram mostrar ao mundo que sabem fazer mais do que assassinar palestinos. Certo, eles são melhores assassinos do que dançarinos, mas, se forem tão bem treinados em coreografia como o são em odiar e matar árabes, talvez consigam, um dia, aprender a dança do ventre. Assista ao vídeo em que eles se apresentam ao som de "Tick Tock". E depois veja a resposta palestina.



A reação palestina não tardou.  Em 10 de julho, cerca de 100 pessoas, entre palestinos e ativistas de direitos humanos da Dinamarca, Grã-Bretanha, Itália e Suécia, reuniram-se para um protesto contra a atitude dos israelenses. Em frente aos soldados da FIO (Força Israelense de Ocupação, nome que os árabes dão à IDF, Israeli Defense Force, o exército sionista) que guardam o portão que impede o acesso da população palestina à rua Shuhada, seis manifestantes, assistidos pelos demais, dançaram "Poker Face", de Lady Gaga. Três deles desempenharam o papel de soldados da FIO, revistando e prendendo os palestinos -- um acontecimento diário ali. Palestinos e ativistas cantavam "One, two, three, four/ occupation no more/ five, six, seven, eight/ stop the killing, stop the hate". Assista ao vídeo:




A ideia é excelente. A FIO poderia abandonar as armas, parar com os assassinatos que se sucedem há mais de 60 anos e ensaiar coreografias, lançando desafios de dança aos palestinos. Estes, por sua vez, responderiam aos desafios com a ajuda das belíssimas especialistas em dança do ventre -- que, evidentemente, ganhariam os torneios de dança.
O prêmio, claro, seria um país livre de violência. As garotas árabes, vencedoras, rebatizariam de Palestina o país e ficariam no poder até que palestinos e israelenses, ateus, muçulmanos, cristãos e judeus se organizassem para a eleição de uma nova Constituinte. Composto por grupos representativos de toda a população, o Congresso, promulgada a nova Constituição, convocaria eleições para o Executivo, que seria composto por um colegiado de palestinos, israelenses, ateus, muçulmanos, cristãos e judeus.
Daí em diante, as diferenças seriam resolvidas na base do diálogo, da negociação e da dança.

Pena que a realidade não se transforme quando a gente sonha. Depois da dança, os manifestantes dirigiram-se, em passeata pacífica, até o centro da cidade. Ao aproximar-se do mercado tiveram o caminho bloqueado por um grupo de soldados israelenses portando metralhadoras M-16. Alguns chutaram os manifestantes e bateram neles. Mesmo assim, a passeata continuou, dando as costas ao bloqueio e dirigindo-se à Cidade Velha.

Baby, com informações do International Solidarity Movement (ISM), organização pró-Palestina 

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